Se você nunca cogitou a ideia de viajar para Israel, atenção: é bom rever os seus conceitos. Apesar de ser um país pequeno (são 22 mil km² de área e você consegue percorrê-lo de norte a sul em apenas seis horas), essa faixinha de terra espremida no Oriente Médio reserva muitas surpresas.

O destino é rico em atrativos, praias incríveis, reservas naturais e desertos, além, de claro, ser uma verdadeira imersão na história da humanidade. Por isso, juntei tudo que vi e vivi em um guia completo, que passa desde a cosmopolita Tel Aviv à religiosa Jerusalém, sem esquecer de cidades charmosas como Haifa, a paradisíaca Eilat e a fascinante Massada.

Tel Aviv (Foto: Renata Telles)

Também cruzei a fronteira e fui até a Palestina conhecer um dos seus maiores pontos turísticos – e não estou falando do Rio Jordão e nem da Basílica da Natividade – e, sim, do Muro de Israel. A muralha, que divide o território de Israel e Palestina e tem uma extensão de 721 km, 8 metros de altura e trincheiras com 2 metros de profundidade, se transformou em um museu a céu aberto. Tudo porque diversos artistas, entre eles, o britânico Banksy, passaram a fazer grafites que satirizam essa segregação.

Prepare-se para mergulhar em uma viagem espetacular!

Tel Aviv

Moderna e descolada, Tel Aviv é a segunda maior cidade de Israel e conta com cerca de 600 mil habitantes. Fundada há pouco mais de 100 anos, essa metrópole respira liberdade. É o lugar das festas mais vibrantes, dos gays, dos artistas, da tecnologia, dos animais (Tel Aviv é toda pet friendly), dos veganos (você sabia que ela é considerada a capital mundial do veganismo?) e de quem mais chegar.

E já que você vai desembarcar em Israel pelo aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel Aviv, que tal começar desbravando a cidade mais cosmopolita do Oriente Médio?

O que ver?

Old Jaffa

Inicie seu giro pelo passado e visite Old Jaffa. Situada em uma colina com vista para o Mar Mediterrâneo, na parte sul de Tel-Aviv, a região, que tem o porto mais antigo do mundo em funcionamento, existe há mais de 3 mil anos. Em 1950, a velha cidade passou a fazer parte de Tel Aviv – tanto que o nome oficial do estado é Tel Aviv-Yafo (Yafo quer dizer Jaffa em hebraico).

Old Jaffa é um encanto de lugar

Por lá, você encontra ruas de pedras e prédios históricos que, hoje, são ocupados por lojas, boutiques, restaurantes, galerias de arte, cafés… Dá pra ficar horas andando pelas famosas vielas onde árabes, cristãos e judeus convivem em paz.

Old Jaffa

Caminhe pelas docas antigas, ouça música ao vivo, suba a colina do Jardim Hapisga, com vista para a baía, e contemple a cidade (o pôr do sol é espetacular), faça um pedido na Ponte dos Desejos, percorra o Mercado de Pulgas de Jaffa e coma o melhor hummus da sua vida! Um dos lugares mais disputados para experimentar a iguaria feita de grão de bico é o restaurante Abu Hassan. Tradicionalíssima, a casa abriu em 1959.

Restaurante Abu Hassan (Foto: Renata Telles)

Neve Tzedek

Neve Tzedek também precisa estar no seu roteiro. Fundado em 1887, o primeiro bairro judeu fora da cidade portuária de Jaffa, tornou-se, recentemente, um lugar da modinha entre artistas e designers. Suas ruas floridas e charmosas são um convite para um delicioso passeio a pé.

Visite o Gutman Museum, repleto de obras em mosaico do israelense Nahum Gutman, e passeie pela Shabazi Street (aproveite para provar o famoso gelato da sorveteria Anita).

Gelato delicioso (Foto: Renata Telles)

HaTachana Old Train

Outra atração que merece destaque ali perto é a HaTachana Old Train Station. A antiga linha de trem ligava Jaffa a Jerusalém, mas foi desativada em 1948. Atualmente, a estação funciona como área de lazer. Há restaurantes, bares, lojas de artesanato, vestuário e cosméticos, shows, etc. Uma boa dica para terminar o dia!

Florentin

Um lugar que caiu no gosto dos jovens foi o boêmio bairro Florentin. Ele, inicialmente, era habitado apenas por judeus vindos do Norte da África, Turquia e Grécia e virou a porção hipster da cidade. É lotado de grafites (alô instagrammers!), cafés, bares, galerias de novos artistas…

O bairro Floretin é cheio de grafites (Foto: Renata Telles)

Por ali, a noite ferve! Passe ainda no Levinsky Market (mercado com diversas comidas típicas, entre elas, frutas secas, nozes, doces tradicionais, queijos finos, produtos em conserva…)

Diferentes temperos
Diferentes temperos (Foto: Renata Telles)

Carmel Market

Aliás, mercado é o que não falta em Tel Aviv. Dizem que você só conhece realmente uma cidade quando visita a sua feira de rua. Então, já coloque mais uma parada gastronômica na sua trip: Carmel Market. Além de comidas e temperos, ela vende roupas, souvenirs, lenços, prata, etc. A feira funciona todos os dias, exceto sábado (por conta do Shabat), das 9h às 17h.

Pães deliciosos (Foto: Renata Telles)
Carmel Market

Sarona Market

Quer algo mais gourmet e confortável? Vá ao Sarona Market. O mercado, que tem ar condicionado, mas preços salgadinhos, é bem no estilo do Chelsea Market, em Nova York.

Sarona Market (Foto: Renata Telles)

Orla carioca?

Junte o lifestyle carioca com toda a estrutura e organização dos israelenses. Pronto. Você tem uma das melhores praias para curtir o calorzão de Tel Aviv (a cidade conta com sol quase o ano inteiro!).

Vai uma cervejinha?

São 14 km de areia branquinha e água azul. Mas onde ficar? Assim como Ipanema, cada “posto” tem a sua “tribo”. Há praia gay (Hilton Beach), dos surfistas (Gordon e Frishman Beach), religiosa (Nordau Beach) e até para os pets (Alma Beach e Hilton Dog Beach).

Praia de cachorro
Praia de cachorro (Foto: Renata Telles)

E quando falo que a orla de Tel Aviv lembra, e muito, a do Rio de Janeiro, não é à toa. Você vai ver gente praticando futvôlei, jogando capoeira e até tomando açaí.

A placa indica a área de cachorros (Foto: Renata Telles)

As praias tem banheiros, guarda-volumes, chuveiros, acesso para cadeirantes e academia. Há quiosques na orla, mas se você quiser tomar algo ou comer na areia, precisa levar uma bolsinha térmica. Não há ambulantes.

Vida noturna

Após passar a tarde no Tel Aviv Museum of Art, o maior museu de arte do país, fundado em 1932 (antes mesmo da criação do estado de Israel), com obras de Van Gogh a Picasso, você tem duas opções: descansar no hotel ou… se render às baladas de Tel Aviv.

Na Rua Dizengoff, por exemplo, considerada a Champs-Élysées da cidade, há lojas de grife, restaurantes e diversas casas noturnas. A agitação também reina no Rothschild Boulevard. É possível encontrar todo tipo de festa (seja ela rave, rock, indie, LGBT, pop…). Lembrete: as baladas começam a esquentar a partir das 2h da manhã!

A arquitetura

Tel Aviv foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO por guardar o maior legado arquitetônico do estilo Bauhaus. Por isso, ganhou até o apelido de Cidade Branca. Os amantes da vanguarda alemã dos anos 1920 ficarão boquiabertos com as construções.

Suco de romã
Suco de romã – você encontra por toda Tel Aviv (Foto: Renata Telles)

Onde comer?

Come-se muito bem em Tel Aviv. A cidade agrada a todos os paladares, com uma gastronomia que dá a volta ao mundo. Entre os pratos mais populares estão o hummus (pasta de grão de bico), falafel (bolinho de grão de bico), shawarma (sanduíche de carneiro ou peru com pão pita e vegetais) e shakshuka (ovos cozidos em molho de tomate).

Como mencionei acima, Tel Aviv é considerada a capital mundial do veganismo. Ela possui centenas de restaurantes vegan, com menus inovadores e nutritivos, desde saladas e fast food a pratos gourmet e sobremesas. Algumas das casas famosinhas do momento: Bana, 416, Godness e Meshek Barzilay.

Como se locomover?

Todo o estado é plano, então, um conselho: faça tudo a pé ou alugue uma bike! Assim, você descobre cantinhos exclusivos e vivencia o clima descontraído da cidade. Cansou? Sem problemas! Pegue ônibus (eles são superconfortáveis, tem wifi e até entrada USB pra carregar o celular).

Rav Kav é o cartão que você usa para pegar ônibus

Tudo que você precisa fazer é comprar o cartão Rav-Kav e colocar o crédito desejado. Existem máquinas espalhadas por toda a cidade (incluindo rodoviária e aeroporto).

O Rav-Kav vale para os ônibus e trens, inclusive, em Jerusalém. Também há a alternativa de chamar um táxi pelo aplicativo Gett (espécie de Uber). Basta cadastrar um cartão de crédito internacional e usar normalmente.

Fique ligado!

Não esqueça que os judeus fazem o Shabat. Ele começa no pôr do sol de sexta e vai até o pôr do sol de sábado, então, muitas lojas e restaurantes ficam fechados nesse período! Também não há ônibus, taxis e trens circulando na cidade. Atente-se quando for fazer o seu roteiro!

Processando…
Sucesso! Você está na lista.
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